João Maria Ximenes de Andrade (Garça-SP, 15 de agosto de 1933 - desaparecido em 23 de março de 1974, São Paulo, SP) foi um militante comunista de base, negro, estudante de Economia da PUC-SP e membro do Centro Acadêmico Leão XIII, que formou parte da resistência à ditadura. Foi sequestrado e desaparecido em 1974, em São Paulo-SP.
Biografia
João Maria Ximenes de Andrade nasceu na cidade de Garça, no interior de São Paulo, em 15 de agosto de 1933. Era o filho caçula de Djanira da Silva e Cantidiano Ximenes de Andrade. Sua mãe, Djanira, pessoa escravizada, casou-se aos 14 anos com o alferes Cantidiano Ximenes de Andrade, de 40 anos, com quem teve oito filhos. João Maria era conhecido na família como "Quinho", nome com o qual foi apresentado às seguintes gerações.
Logo do falecimento do pai, na década de 1940, toda a família migra para a zona norte de São Paulo, onde se estabelece com grandes dificuldades. Segundo relataram as irmãs do João Maria, em Garça, antes de migrar, dona Djanira e seus oito filhos moravam em um pequeno quarto e todos trabalhavam desde crianças.
Estudioso e comprometido, formou-se no Colegio Normal Particular Prudente de Morães em 1952 e, em 1960, com 27 anos, João Maria Ximenes de Andrade ingressou no curso de Economia da PUC-SP e, no mesmo ano, realizou um pedido de intercâmbio para a Universidade dos Povos da URSS. Além destes documentos, familiares relataram a existência de correspondência com a URSS, hoje perdida. João Maria era conhecido na família por ter diversas amizades, passar periodos do dia em lugares desconhecidos e receber publicações então proibidas pela ditadura, além de manter discussões políticas com familiares ao respeito.
Em 1974, ano da sua desaparição, realizava-se a Operação Radar, que perseguia quadros políticos e estudantes que haviam solicitado o intercambio na Universidade dos Povos, após encontrarem listas de solicitantes, por exemplo, no domicílio de Fued Saad.
Na época, sua irmã, Vera Maria Ximenes, apresentou-se em delegacias, hospitais e todos os lugares ao seu alcance em busca do irmão. Grande parte da família, com medo, não continuará a busca por João Maria, deixando seu nome para uma lembrança fatídica das memórias de uma família fruto da escravatura e da tortura.
Em 2019, graças à busca da sua família, que preservou seus documentos e provas da sua militância e os apresentou na PUC-SP, a Comissão da Verdade da PUC-SP diplomou simbólicamente o seu ex-estudante desaparecido em um ato histórico para a universidade particular católica, pois se tratava do primeiro reconhecimento de um estudante negro.
Na atualidade, a Comissão de Mortos e Desaparecidos continua protolocalando seu pedido de reconhecimento e entrega de certidão de óbito como desaparecido político, junto com outros pedidos, como os de Rosângela Serra Paraná Burbach e Lia Cecília da Silva Martins.
Vale lembrar que todos os autores dos crimes da ditadura seguem impunes.
Galeria:


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Atualmente, os países latino-americanos mudaram de categoria, de países do terceiro mundo, para países emergentes. Coisas da globalização, mas, ainda sem direito de conhecer a própria história. JMXA é uma das personagens cujo direito de existir não foi concedido, desaparecido e sem certidão de óbito.
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